sábado, 24 de setembro de 2016

30 ANOS DEPOIS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

A estação me recebe como as andaluzas em flor, Do outro lado da avenida, As ruas estão desertas, A noite caída tarde ainda em baixas e boas horas, Ao longo de uma aleia de buxos aparada e de cheirosos canteiros de alfazema, Lá adiante, a lividez do luar ilumina vagamente tudo à volta e meu passo até uma alemoa que, Gentilmente, Mostra-me uma alameda  de casas simétricas, Feita milharal, Levando-me ao casarão plantado numa das duas estreitas vias transversais, Separadas pelo elegante jardim quadrilátero, Centralizado e cercado de grades. A pensão me recebe como em meu lar, Minha casa, Meus amores, Minha flores dos trópicos, Cá nesta terra fria e acolhedora, Como a cama aconchegante, O sorriso aberto e familiar do café da manhã tão rico e caseiro, Os primeiros raios de sol iluminam esta parte da superfície terrestre sob sombra, O dia cresce, A chuva se prepara para derramar, Ela vai cair e apodrecer, Como frutos maduros no chão chovidos de mangueiras, Deitará de novo, Antes da meia-luz crepuscular, E vai embora de vez nas horas entre o lobo e o cão, Os caminhos que me levam aos destinos de meus sonhos são marcados por cores profusas, As mesmas que adornam as roupas femininas, E seus cabelos, Sou recebido com simpatia por jardins exuberantes, Bancas de frutas recém colhidas, Por um universo de sons e letras incomparáveis, Tudo aqui é majestoso e respeitoso, E parece ser obra direta de um ser onipotente, O terrorismo ainda demora para chegar, Os anos dourados não retornarão, Mas estar aqui é não sentir saudade de casa, Não querer voltar.