quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

SEASON´S GREETINGS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)



Onde você vai passar o natal? Nas montanhas? Nas minhas saudades tamanhas? Esta distância de não se falar com os olhos, Não vai nos impedir de trocar presentes de mentira, Como gostaria que Jesus tivesse nascido neste dia da ressurreição de um deus babilônico, Não pude crescer como ele, E por muito mais tempo que sua breve infância, Meus anos perdidos se perdem no tempo que ele não teve, E como ele, Minha vida não consegue sair da caverna mitológica, Disso você sabe mais que um pouco, Em quantos dos meus sonhos você já esteve? Em quantos dos meus pensamentos e em quantas de minhas promessas? Só Deus sabe que esta pode ser a última vez que pretendo te enganar, Só Ele decide quando termina minha sorte, Como Ele faz com a morte, Só eu mesmo posso decidir quando devo me reinventar, Antes dela chegar, Onde você vai passar o ano novo? Nas planícies oceânicas? Nas minhas expectativas messiânicas? Vou fazer votos de mudança, Vou pagar o novo e o velho, Desmontar minha árvore no dia seis, Dos reis que perderam a primazia no Concílio de Niceia, Gostaria de ter nascido no seu lugar, E você não existiria para se decepcionar.

domingo, 17 de dezembro de 2017

FUI PRA MARACANGALHA


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Meu Brasil, Brasileiro, Onde foi parar meu dinheiro? O que tanto você faz ai sentado em banco estrangeiro? Quando eu era criança, Gente fuleira era fariseu, As minas pissu gostavam de meia de seda na dança, Quem não fumava baseado era ateu, Quem não pegava nenhum balão, Na festa de São João, Era pagão, Minha São Paulo, Paulistana, Cadê minha grana? Quem tanto lá fora você sustenta, Enquanto o povão aqui dentro só aumenta? Quando minha mãe ainda não era avó, Gilmar era o melhor goleiro, Didi folheava a bola até cair seca no filó, Mané fazia de cada lateral um João, Pelé humilhava o adversário de dar dó, Não tinha juiz que dava cartão verde para ladrão, Nem amarelo para quem comia angu sem fubá, Nem vermelho só para quem cantava minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, Minhas Minas gerais, Tua mineira é demais, Minha idade não te aguenta mais, Só uma largou o queijo pelos meus temporais, Quando eu era adulto, Corrupto não tinha indulto, Nem prisão caseira, Nem punho para algema e tornozelo para tornozeleira, Meu Rio de Janeiro, bicheiro, Cadê meu pagamento? O que você fez com os 10 reais que apostei no jumento? Quem ficou com o superfaturamento? Quando fiquei velho com voz de gralha, Fui para maracangalha, Mas o dia que minha poesia se estraçalha, É que minha temperança virará uma fornalha.

sábado, 25 de novembro de 2017

DESATINOS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Às vezes, meus textos recebem elogios vindos de pessoas que, na verdade, não os entenderam. Disso eu sei ao ler seus comentários. Outras vezes, aliás, muitas vezes, meus textos recebem críticas. Dizem que eles não passam de uma colcha de retalhos, um amontoado de palavras e frases sem nexo. Dizem também que são piegas, amadores, presunçosos e faltos de verve literária. O problema é que não sei escrever, sobretudo sobre ideias alheias. O que faço é exercitar e desafiar meu intelecto, por entender que o cérebro não foi criado apenas para preencher a caixa craniana, mas para pensar. Escrevo para mim mesmo sobre o que penso. Publico meus pensamentos nas redes sociais para me livrar deles. É o mesmo que fazer terapia com um analista. Informações escondidas no inconsciente são conscientizadas, analisadas e, por fim, dispensadas. Mas o inconsciente nunca para de produzir. A consciência precisa sempre reservar um espaço vazio para receber novas informações do inconsciente que são incontáveis e infinitas.  Eis aqui apenas três exemplos de meus desatinos:

1)IDEIA 

Para acessar o texto na íntegra, cole este link na barra de endereços http://alceunatali.blogspot.com.br/2015/11/ideia-poesia-destacada-pela-comunidade.html


Acredito que ninguém, por mais inteligente que seja, jamais perceberá que frases como E ambas embrenham-se além da linha do horizonte, Entram em alto mar e se veem cercadas de água por todos os lados, Onde se navega com mais cautela do que na boa e rápida partida, Onde se baila, Se oscila e se equilibra, Com réplicas e tréplicas, Sem estribilhos e bordões, Com enésimas contra tréplicas e revelações, Com o tempo viajando bem mais lento, Sem perder a objetividade estática do valor relativo das asseverações, Da centralização das opiniões, O embate das argumentações, A fragilidade da condição humana, Sem perder a subjetividade dinâmica das iniciativas, Das esquivas, Das manobras, Dos vacilos, Das investidas e recuos, Da individuação, são meras descrições poéticas das várias estratégias do meio-jogo no xadrez, depois que as brancas e as pretas completaram suas aberturas. A música, Idea dos Bee Gees, fala por si.

2)ABAIXO DO DÉCIMO NÍVEL 

Para acessar o texto na íntegra, cole este link na barra de endereços http://alceunatali.blogspot.com.br/2015/07/abaixo-do-decimo-nivel.html


Acredito que pouca gente perceberá que o texto é escrito no ritmo das estrofes da letra (não da melodia) de Águas De Março de Tom Jobim. Compare os versos inicias:

É pau, é pedra, É o fim do caminho / Tem pessoas, Tem mentes, Abaixo do nível,             
É um resto de toco, É um pouco sozinho / Tem um pouco de tudo, Onde tudo é possível, 
É um caco de vidro, É a vida, é o sol, É a noite, é a morte / Fragmentos de pensamentos, Inteirezas de vidas, Vivências de naturezas, Antes dos tempos, Antes das mortes,                 
É o laço, é o anzol, É peroba do campo, Nó da madeira / Muitas chuvas e sóis, Muitas realezas, Tem sonos pesados, Sonhos resplandecentes,                                                     
Caingá, Candeia, É o matita-perê, É madeira de vento / Tem flutuações, Elevações, Projeções à frente,  Tem sonos leves,                 
Tombo da ribanceira, É o mistério profundo, É o queira não queira / Voos descendentes, Tem saltos profundos, Sentem e não sentem,  É o vento ventando,
É o fim da ladeira, É a viga, é o vão / Tem voos planados, Começos de vertentes, Tem corpos, Plenitudes,               
Festa da cumeeira, É a chuva chovendo, É conversa, é ribeira das águas de março / Fluências de gentes, Espíritos espiritualizando, Dimensões viventes, Abaixo do décimo nível...

O texto segue este ritmo até o fim. Compare os refrãos:

São as águas de março, Fechando o verão, É a promessa de vida no teu coração / Décimo nível abaixo, Abrindo os portais, Onde superfícies e profundidades não são iguais.

Engana-se quem pensa que o texto é um plágio da letra desta música de Tom Jobim. O texto nada tem a ver com Águas de Março. Ele lida com as camadas mais profundas do inconsciente humano. No filme O Mistério Da Libélula, um médico que perdeu a mulher, médica oncologista, conversa com os pacientes dela, todos crianças, e parece receber delas mensagens de sua esposa. Ele procura uma freira, famosa por seus relatos de pacientes que tiveram a chamada Experiência De Quase-Morte. A freira diz ao médico: Converse com um anestesista. Há centenas de degraus na escada da consciência, entre estar completamente alerta e estar morto. Para anestesiar um paciente, ele é levado somente até o décimo degrau. Além dele há uma escala cinza, como as profundezas de um oceano inexplorado. O que faço é explorar este oceano, sem a pretensão de saber o que lá existe, mas apenas especular sobre todas as estranhezas que costumamos ver em sonhos. A música escolhida, Dissolve dos Chemical Brothers, se enquadra perfeitamente com o ritmo do texto.


3)APENAS UM MOMENTO 


Para acessar o texto na íntegra, cole este link na barra de endereços http://alceunatali.blogspot.com.br/2015/07/apenas-um-momento-na-vida.html


Este breve texto
recebeu elogios, mas quem os fez não sabe que estou lidando com as crendices dos índios norte-americanos. Todos os sistemas mitológicos nascem da mesma base fundamental. Os deuses são filhos da reverência e da necessidade. No entanto, a mitologia dos índios norte-americanos data de um tempo bem mais remoto. O homem selvagem, incapaz de distinguir o animado do inanimado, imagina que todos os objetos à sua volta, como ele próprio, são instintivos e com vida. As árvores, os ventos e os rios possuem vida e consciência. As árvores gemem e farfalham, portanto, elas falam, e são moradias de espíritos poderosos. Os ventos carregam palavras, visões, avisos, e ruído que, sem dúvida, são poderes que vagueiam. São seres amigáveis ou inamistosos. As águas se movem, articulam e profetizam. Até mesmo as qualidades abstratas devem possuir atributos de coisas vivas.  A luz e a escuridão, o calor e o frio, são considerados agentes ativos que alertam. O céu é visto como o pai que, em cooperação com a mãe-terra, gera todas as coisas vivas. As características destas crenças são chamadas de animismo. A música escolhida para este texto, Lay Your Cards Out da cantora Poliça, parece ter sido criada especialmente para este texto.

As ideias de todos os textos vêm do intelecto e este, por sua vez, é impulsionado pela alma alimentada por música e pela intuição materializada por uma ilustração. Músicas e ilustrações não estão em cada texto por acaso. A música é a alma do intelecto e a ilustração seus olhos.

domingo, 5 de novembro de 2017

ARLETE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Nascemos quase no mesmo lugar, Dispondo-nos a andar, Apressando o passo, Atravessando os caminhos de pequenas distâncias que a amizade aproxima, Nascemos quase na mesma época, Deixando o tempo passar, Este majestoso senhor da eternidade e do infinito, Venerado e rogado, Por todo impetuoso espírito, Que o verdadeiro amor engrandece, Quase recebi seu sorriso adolescente, Quase recebi seu beijo juvenil, Ainda mesmo de namorados de menor intimidade, Fiquei com seu abraço de ternura, Com esta ressonância, Que chamam de saudade, Como uma canção alegre e sentida, Que, Embalando nossa separação, Nos seguirá por toda nossa vida, Em nossos dias, Cada um reza sua reza, Você dança sua dança, Eu canto meu canto, Mas sempre entoamos as mesmas morosas cantilenas, Em vozes baixas e em tons brandos, Como mães que balançam os berços para acalentar o repouso de seus filhos, Baile uma última vez para nós, Como inquieto vaga-lume, Pelos seus campos de flores que se estendem até as margens do rio, Sobre suas barras remansadas, De sentimentos trazidos pelas águas, E guardados nos estuários de nossas lembranças, Como tremeluz um solitário pirilampo, Que, Voluntarioso como Fernão Capelo Gaivota, Deixa a vida mundana, Sobe ao céu noturno, E lá reluz no manto estelar como uma nova fagulha de diamante.

sábado, 14 de outubro de 2017

REACHING OUT

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

O que falta nestas noites de silêncio sepulcral, De janelas largadas abertas, Penetradas pelo luar a pratear meu aposento, Trazendo uma brisa, Por mãos incorpóreas, A acariciar meu rosto, Com ar cansado, Fazendo de meu leito vazio uma igreja fria e triste, O que falta nesta imensidão de estrelas brilhantes, Uma vésper que faz de mim um pastor errante, Uma que é tudo que neste céu caído por descuido, Resta do seu esplendor corporal, Que chego por ver-te em meus braços, De seu cheiro de santidade, Que chego por sentir-te em seus abraços, E ante tuas lembranças me detenho, Ouço um rumor de lendas pelo ar, Fino e puro, Entrando n´alma, Nela seu amor correndo mundo, ao alcance de minha mão.   

sábado, 7 de outubro de 2017

O BRAÇO DE ORION

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Moro e trabalho num lugar espúrio, Na espora que me açoita a alma, Não faço parte de nenhum partido político, Nem de sociedade de amigos de bairro, Me dizem que a coisa por aqui está preta, Para anular o voto, Vestido assim de niilismo, Posso parecer um poema fechado, Num envelope de greve branca, Meu padrinho de velho fraque, Na minha diplomação, Foi parar na prisão, Quando eu era criança, Meu coração vivia na Atlântida, Na hora do recreio, Merendava meu pão doce com doce, Aceitava pouco dinheiro, Quando muito, Pequenas oferendas, Que cercavam o altar, Onde tinha medo de rezar, Medo de confessar, Com tantas coisas para roubar, Que meus maiores prometiam proteger, Minha vizinha precisou de minha camisa, Para me fazer uma simpatia, Para voltar à vida, Meu vizinho me deu um bilhete azul, Para iludir minha desgraça, Enquanto caçava e colecionava borboletas, Recebia apoio até para a presidência, Quando quis acreditar no espiritual, Cai na real, Quando decidi deixar de ser honesto, Me dei mal, Mas fui um dos que escaparam à morte em navios escravistas, E vim definhar nos caminhos deste país, Atacados de tantas moléstias de mau caráter, O braço tênue que me mantém fragilmente equilibrado, Como espada de Dâmocles, Me deixa balançar na corda bamba de uma utopia sem princípio nem fim, Me promiscui numa orgia romana, Sem poder para mandar, Tendo que compartilhar minha mulher com todos que queiram com ela comungar, Muito longe de qualquer ideal que eu possa alcançar, Ainda escrevo e faço telepatia, Esperando que meu espírito chegue ao estado numinoso e metafísico, Que eu seja ouvido por alguém que esteja além do que é físico nesta terra. 

sábado, 30 de setembro de 2017

ET JEANNE, LA BONNE LORRAINE QU'ANLAIS BRÛLÈRENT Á ROUEN, OÙ SONT-ILS, OÙ, VIERGE SOUVRAINE? MAIS OÙ SONT LES NEIGES D´ANTAN?



Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Há um amor, De Domremy, A mim não pertence, Nem a Neufchâteau, Amor de moça sem rosto, Que não se abriga em telha-vã, Não se agacha no seu mantéu ao calor de lareiras, Levanta-se, Resoluta, Contra o rechaço de Vancouleurs, Quando há pouco bailava ainda menina na relva pintada pelo artista, E não se deixa enganar por Chinon e seus desafios que pensava que ela não percebia, Mas que ela começava a adivinhar na sua intuição sutil de mulher já casada com sua pátria,Lhe é testemunhada a maior veneração, Aos olhos arrebatados sempre a mirar do alto de uma colina, Entregue aos humildes pensamentos que lhe compensam, Por instantes, Dos sofrimentos impostos pela incerteza de Poiteirs e seus mil interrogatórios, Não pelo mero prazer de duvidar, Mas por ambicionar convicções políticas, Nem sempre voltadas para o filho de deus menino em oração, Que essa donzela leva consigo de Tours a Blois, E tão cedo esse pequenino mundo do universo a convocou, Para que os cuidados da ciência dos homens e a intuição feminina de seus cuidados triunfassem em Orleans, Repartissem sua ternura com sua força, Impassível à seta que lhe atravessa a parte que ergue sua cabeça austera,Para os sois de verão realizarem as glórias prometidas em seu coração, Num mundo ainda de criança que ordenhava ovelhas, As viseiras de elmo feito diamante, Alevantando um pouco, Mais seguro, Para amortecer, Se pôs diante, Da forte e dura pedra de Jargeau lançada à sua face indefesa no chão, Enquanto seu olhar ainda voltava-se à contemplação de águas sossegadas, E admirando teu vulto sagrado, Meung-Sur-Loire e Beaugency compreenderam teu dever, Enquanto aquelas águas davam à paisagem um encanto de conto de fadas, Para que ela cumprisse em Rheims o que as vozes da espiritualidade a inspiravam, Fazendo ciranda em volta das árvores, Sorrindo nos folguedos das estações, De amor e destemor, Nos outonos e primaveras de guerra e paz, Na agitação de gente que ainda por aqui passa e deixa sinais, Como os que essa jovem sem rosto atrai, E quanta coisa ela tem que deixar para trás? E quanto amor ela guarda para a glória de seus ancestrais? E quanto mais para a indiferença dos que um dia não a desejarão mais? Hoje a menina-moça sem rosto traz amor, Que a Paris de futura luz resistiu-lhe com um dilúvio de sóis apagados, Um amor do qual só um é senhor, De espírito e corpo desarmados em Gien, Um senhor de tantas feições, Para as neves de inverno dificultarem sua devoção ignorada pelos seus próprios pares, Feições que resplandecem no breu sem fim, Ainda estremecem St. Pierre de Moustier, Vastidão que amedronta os olhos que aqui embaixo observam, As derradeiras e árduas batalhas pelas vidas em La Charitê-sur Loire e Lagny, Onde o filho de deus menino sempre amou, Foi traído, Como em Compiéngne, Onde a menina-moça perdeu a liberdade, Com as mesmas moedas que os judeus pagaram aos de sua raça e os franceses aos ingleses, Uma via cruxis que começa em Arras, E tão tarde para essa terra nos prometeram devolver este menino, Mas ele a acompanha em Beaulieu e Beaurevoir, Perpetuando nossa esperança de amor, Até seu fim em Roeun, Quando o amor ainda é de criança que pastoreia ovelhas meninas, Que se entregam ao frescor de águas espraiadas, Dão ao vinho um sabor de festa de bodas, Cantam para os homens dançando em quadrilhas, Se embalam à luz do sol e à leveza da neve, Em tempos de amizade sem rancor, De flores no alto e no chão, na trégua e na regeneração, De lembranças de pessoas que por aqui nunca mais passarão, Como esse filho de deus menino sem rosto de igual veneração, E que coisas mais ele reserva para o futuro? E quanta dissidência ele evita para a vergonha de seus descendentes? E quantas mais para os que se arrependem tardiamente? Ontem o menino sem rosto concedeu o perdão, Que a vida mundana lhe negou, A mesma vida que esta menina sem rosto sacrificou, Para que eu hoje pudesse falar de seu amor, Um amor que a mim não pertence, Mas que dele hoje falo para fazer companhia à nossa dor, E para te conhecer, Seus contemporâneos e pósteros teriam dado Versalhes, Paris e São Denis, As torres de Notre Dome, E o campanário de sua sua terra, E os estrangeiros, Taj Mahal, Roma e Santiago de Compostela, A Basílica de São Pedro, Os santuários de todo o mundo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

VERBORRAGIA

 Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 



Mal conto obter, Um disco voador aparecer, Para relativizar meu tempo, Do por do sol que morre breve à claridade rósea iluminando o alvorecer, Não vejo a hora, De ir embora, Navegar o rio imprestável com uma igaratá, E chegar ao vale para frutescer o pé de amora, Não quero mais ficar aqui, Levem-me para qualquer sambaqui,  Pre-historia-me na américa de Vespúcio, Até eu evolver para um índio cherokee,  Don´t wanna be a bluebeard, Don´t wanna be feared, I wish I was a rolling stone that gathers no moss, I wish I was a moptop going weird, Delfos vai me dar o oráculo, O messias vai cear no meu cenáculo, Lúcifer vai ser meu convidado, Deus disse que não vai ser um obstáculo, Vivo lutando, A vida ensaiando, Ficando sem mel nem cabaça, Gêmeo criança do meio coadjuvando, Bem posso apressar, Uma estrela definhar, Ela é um quasar que chega aos meus olhos, Mas não posso ouvir seu pulsar, Enxergo o tempo, A tempo de sentir o vento, A tempo de normalizar a aceleração e o afrouxamento da canção, Meu relento é de trampa e urina por falta de arejamento, Porque o mundo é redondo, Estou rodando, Ele me gira, E a pombagira vai me incorporando, I cannot win the toss, I cannot carry that heavy cross, Lay me out once more, Let me be my own boss, Porque o céu é azul, Vou de aloés e cardamomo com ar taful, Porque quero me revestir de alta dignidade, Minha suprema aspiração é o curul, Porque o vento sopra forte, Derramo lágrimas de toda sorte, Espero morrer antes de envelhecer, Espero morrer antes da morte, Porque minhas morte-cores são ordinariamente vivas, Me falta o negro como ébano, Me falta o limão, Me falta a ágata como ônix, Me falta o açafrão, Já tenho o branco do marfim, Me falta o carvão.    

domingo, 24 de setembro de 2017

REVELAÇÃO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Há uma hora para tudo, De guerra e paz, E grandes são os benefícios de épocas sem lutas e violências, Faz décadas que não preciso de horas in itinere, Mesmo assim, Busquei uma paz podre, Multipliquei meu sossego profundo, Cansado de minhas mentiras deslavadas e de nove modas, De minha ojeriza a quem o alheio veste, E na praça o despe, De minha má vontade com o que me pertence, E se eu de mim esquecer, Que nenhuma lágrima caia no sepulcro em que eu jazer, E como tudo cansa, Minha monotonia acabou por exaurir-me também, E para não ficar somente no variar, E arraigar no mudar de vez, Minhas súplicas ao médico do corpo, Da mente, Da alma e da aura, Voltaram-se para aqueles que realmente precisam, tanto quanto eu, E minhas vibrações àqueles que não são daqui, Tornaram-se mais fervorosas, E eles me lembraram: Há uma hora para tudo, Par ler e escrever, É chegada sua hora de viver nas suas palavras, Nas suas promessas, Nos seus sonhos, Em tudo que vai no pensamento fértil de um artista, Em tudo que você recrimina e não faz parte de sua lista, Em toda coragem que lhe é infundida, E seu destemor em tudo que você arrisca, Venha perscrutar nossos mistérios, Sem inveja dos sábios, Sem menosprezar o mundo dos infinitamente pequenos, E nós não calaremos sua paz de amor feliz.


domingo, 17 de setembro de 2017

JUÍZO NUMINOSO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Quem bate tão forte como se tivesse cem nós de dedos por noite tão fechada?

Uma aspirante, saída do purgatório, ainda perdida.
Qual é a senha?
Bati a cem portas pelo umbral. Rezo para que esta não seja serventia da casa. Deram-me um violento repouso do corpo e temo que assassinem-me o da alma.
A senha está incorreta, e não há nada para se preocupar. As pessoas não cometem assassinatos no paraíso.
Como se bate a alcatra nesta terra de pés juntos?
Que gíria é essa, mocinha? Aqui se rende o espírito de velhice. Os mais jovens de doenças e acidentes.
O que é um acidente no paraíso?
Um menino se escondeu da chuva debaixo de uma árvore. Ela atraiu um raio que fulminou o garoto.
Ele morreu queimado?
Não necessariamente. A intensa descarga elétrica provoca uma parada cardíaca instantânea.
Isto é um exemplo ou um caso real?
Real.
Você presenciou?
Não. Alguém me contou.
Talvez ninguém tenha lhe contado sobre algum homicídio que você não tenha visto.
Impossível. Não há crimes no paraíso.
Então por que aí há guardas com armas de fogo?
Quem lhe disse isso?
Alguém me contou.
Alguém que foi expulso daqui?
Eu não sabia que as pessoas são expulsas do Éden.
Todo o mundo sabe o que aconteceu com Adão e Eva e os anjos caídos.
eles fazem parte dos primórdios da criação. Os tempos mudaram muito.
Os critérios continuam os mesmos desde então.
A misoginia também?
Pare com esta ironia, mocinha. Isso não é nada bom para seu julgamento. Lembre-se do que um dos grandes apologistas cristãos disse na terra: A mulher dá a luz na dor e na angústia. Finge que sofre a atração do seu marido e deixo-o pensar que ele é o seu senhor. Ela ignora a Eva que é. Não se importa por estar ainda viva, neste mundo, a sentença de Deus contra o seu sexo. Impõe-se como uma ousada. Ela é a porta do diabo. Enganou o único quem Belzebu não conseguiu seduzir. Foi ela quem facilmente venceu o homem que é a imagem de Deus. Foi sua recompensa, a morte, que causou a morte do próprio filho de Deus. E mesmo assim, ainda ela cobre-se toda de ornamentos e túnicas de pele.
Os apóstolos  não disseram que foi Judas Iscariotis quem traiu o filho de deus?
Ocorre que Judas foi ardilosamente desencaminhado pelo demônio, uma mulher.
Uma mulher? Meus pais me ensinaram que anjos e demônios não têm sexo.
Os anjos não, mas os demônios são todos do sexo feminino.
Mas todos os demônios têm nomes masculinos: Belzebu, Azazel, Beliel, Lúcifer, Baal... e em todas as suas representações na terra eles são apresentados como machos fecundando fêmeas terráqueas para gerar o anticristo.
Que petulância é esta, mocinha? Está querendo ensinar o pai-nosso ao vigário e incriminar-se no seu julgamento? Você ainda não me respondeu quem lhe disse que aqui há policiais armados. 
Foi um drone que sobrevoou o céu e viu tudo.
Isto é ridículo. O paraíso é coberto por uma redoma de vidro.
Se é de vidro é transparente.
Seu sarcasmo ferino de conversa ordinária engana a ti mesma. A redoma é um espelho, como aquele usado nas salas de reconhecimento de criminosos nas delegacias da terra. Quem está dentro enxerga todo o firmamento. Quem está fora apenas vê sua imagem refletida.
Esse tipo de vidro deixa passar a luz, mas não deixa passar a água. Então como pode um raio matar uma criança se não chove no paraíso?
De onde você tirou tamanho disparate? Sua insolência já está passando dos limites. Você está pondo em dúvida os desígnios de Deus? Ele ajudou Moisés a separar as águas do mar. Fez chover maná no deserto. Seu filho na terra andou sobre as águas. Deus é capaz de tudo que está além de nossas imaginações.
Eu sou muito boa na água.
O que você quer dizer com esta parvoíce? Está insinuando algum tipo de comparação com Moisés e Jesus Cristo?
Não! Sou muito melhor do que eles!
Como você ousa proferir tal ultraje? Já agora um anjo guardião sussurra em meu ouvido que você é a última das sete filhas de um casal que não foi batizada pela irmã mais velha, e que vira coruja, e, à noite, entra pelos telhados e pelas janelas para chupar o sangue de crianças, bebe cachaça e pia forte, voando e soltado gargalhadas.
Nossa, este teu anjo fala como gente de minha terra. Não cheguei aqui voando. Após minha morte matada, viajei uma semana debaixo d´água até aqui. Consigo prender a respiração por quanto tempo eu quiser.
Isso é uma blasfêmia! Você deve ter sido uma bruxa queimada viva pela Santa Inquisição. Você não foi assassinada. Deve ter recebido a pena capital por prática de feitiçaria.
Não sou bruxa nem da idade média. Sou paranormal e atemporal.
Meu Deus, você é mesma o satanás disfarçado de pobre coitada, querendo nos seduzir, mas aqui você não entra.
Certamente você conhece a mágica de levitação de pessoas que ficam suspensas no ar no sentido horizontal e o mágico passa uma argola pelo seu corpo para mostrar ao público que não há nada sustentando-as por baixo ou suspendendo-as por cima. Isso é apenas um truque barato. Olhe para mim agora. Estou levitando na sua frente.
Meu Deus do céu, você é o próprio demônio. Já chega. Vou anunciar meu veredito: você vai para o inferno.
Nada disso. Olhe bem para mim. Quantos olhos você vê?
Ave Maria, isso é uma monstruosidade. Você virou uma ciclope. Vou te despachar para o inferno agora mesmo.
Espere um pouco. é você quem está enganando a si próprio. Não estou sendo julgada. Sou eu quem está adjudicando. Agora você vai saber quem eu sou. Eu inventei o primeiro evangelho. É minha aquela frase colocada na boca do mitológico filho de deus: Onde quer que sejam pregadas estas boas novas, que será em todo o mundo, será também em memória desta mulher pelo que ela fez aqui hoje. Sabe o que fiz? Acabei com aquela machista lei semita de que a mulher deve pagar um dote ao noivo se quiser casar com ele.
Errado, sua bruxa! Esta lei nunca foi abolida na Palestina.
Nunca estive na Palestina. Inventei o evangelho em Roma. Tem mais. Quando eu disse que fui assassinada e que não queria ser assassinada novamente no paraíso, não dei uma resposta à sua pergunta sobre senha, porque ela não existe. Quis apenas lhe dizer que, por milênios, a mulher têm sido assassinada pela misoginia masculina. Você se mostrou um autêntico e repugnante misógino. Com meu poder extrasensorial pude ver que este paraíso está armado e mata quem dele tenta fugir, como se fazia na ex-URSS e Cuba, por isso vou fecha-lo e transforma-lo num infinito salão de baladas para a juventude.
Olha só meu anjo! Ela solta ectoplasma de seus dedos, desmaterializa nosso lugarzinho de delícias e volta a engolir a substância. Deus nos ajude!
Isto não lhe parece um sonho?
Sonho? Isto é pior que um pesadelo, pior que o terror noturno. É o estertor da morte, martírio eterno, o ranger de dentes, o penar do inferno. Que Deus tenha misericórdia!
Não. Este é um de meus estranhos sonhos. Não sei quem me colocou nele. Sei apenas que sempre estou sendo testada. Você acha que passei no teste? E você, quem é? Um figurante? Meu animus? Ou você é apenas um sonhador com o inconsciente coletivo que assiste a tudo de uma plateia solitária?  E eu, sua anima? Somos aqueles que permanecem à margem do cenário onírico, Que rouba o espírito em toda sua glória, E fragmenta as lembranças pela metade? Nada em nós precisa de um deus. Tudo em nós só precisa ser numinoso, um sonho, que traduz nossas vidas, e do qual sempre acordamos morrendo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

THE SECOND COMING OF THE 60'S


THE SECOND COMING OF THE 60'S (POSTED ON WWW.AMAZON.COM ON September 3rd, 2008). Album review written by Alceu Natali with Copyright protected by Brazilian law 9610/98
Customer Review
5.0 out of 5 stars
ALCEU NATALI'S GREAT ALBUMS: THE SECOND COMING OF THE 60'S
By Alceu Natali on September 3, 2008
Format: Audio CD |Verified Purchase
 
I was reading Q magazine's best of 2007. Firstly, there were those top 10 tracks of the year. I checked each one at Amazon and the only one I liked was 'Watch me fall apart'. Were the Hard-Fi a one hit wonder?, I asked myself. No, they aren't. I checked the album at Amazon and found out that 'Once Upon A Time In The West' is a classic. I found out more. The British reviewers of Q definitely need some help from this arrogant Brazilian guy here who is writing this review. The Q writers gave this album the 35th position in their top 50 best! But the problem is the first 34 best are quite inferior to this Hard-Fi album. As a matter of fact, this album is the only 5 star among those top 50. I bought the CD and got completely delighted to see the 60's back. The Hard-Fi's bloke named Archar said that they are not just a rock band but an everything band: house, rock, ska, dub, pop, etc. And, yes, they really come with a fully loaded arsenal of 60's sounds: Motown r&b, rock 'n' roll, catchy hooks, sing-alongs, groovy beats, oh, oh, oh, ohs, eh, eh, eh, ehs, ah, ah, ah, ahs. 1. Suburban Knights starts with the ehs, ohs and ahs, and guitar cracks announcing the second coming of the 60's. 2. I shall Overcome slows down a little bit but does not miss the beat. 3. Tonight is a pop masterpiece with the ohs, ahs, ehs growing gloriously. Like we say in Brazil: 'Everybody must get out to pay for the tickets again if they want to continue watching the show'. 4. Watch Me Fall Apart is simply grandiose on its own and in a par with the likes of 'Love is All Around'. 5. I Close My Eyes is harder, faster, and raw and with a lot of nahs, nahs, nahs. Cool! 6. Television is another pop masterpiece with its charming halleluyahs that roar. 'Everybody out again, please, and get a new ticket'. 7. Help Me Please is a pause to take a breath, and relax, like Paul used to do in all Beatles' albums. 8. Can't Get Along is a typical 60's pop beat with a break of oohs. 9. We Need Love reminds me of The Animals of the new millennia. 10. Little Angel is 'Tonight' and 'Television' put together therefore once again everybody must get out for a new ticket. 11. The King is a beautiful ballad that ends this classic album in great style and makes me wonder what they will do next like when I was 16 looking forward to the next Beatles LP. It is okay if you do not agree that this album has something to do with 60's. But wonder how J.C. would look like if he returned today? Maybe badly shaved, messy hair, in an old pair of jeans, a worn out waistcoat, a Lennon bottom, an iPod plugged into his ears, and a nailhammer just in case. Halleluyah! Alceu Natali.
 



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

SUBINDO AO CÉU

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

As nuvens noctilucentes descem, Inoportunas aos mais lindos veranicos de maio, Para sorver os docinhos, E os derramam sobre a água-furtada, Unindo-se ao silêncio e à doçura da noite, Rezando suas ave-marias, E redescobrindo sua alma humana, De sua infinita mansarda, E seus escuros e sinuosos meandros, Como os recortes da costa de um mar faiscante, Abrangido por um vasto horizonte, Lá fora, O jardim tapetado com uma camada de pétalas, Uma última folha de paineira que deu lugar a uma flor, É levada pela brisa de encontro à sua porta, Murmura como onda solitária lavando a praia, Ainda não tem seu sono imorredouro perturbado, Deitada sob o recanto esconso, O desvão do telhado, Infindo para andorinhas e corujas, Altivo e inconquistável pelas enchentes, Sonha como um rio eterno em direção à imensidão dos oceanos, Resplandece o rosto sob o olhar de um anjo que te assiste do alto, Sente seu amor nele manifestado, Desperta sua esperança, Faz jorrar sua alegria, Vem te ensinar a voar, E subir ao céu.   

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

ROLLING STONED MEDLEY

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Minhas ideias e pensamentos ocorrem ao acaso, Agem com indiferença e descaso, São muito convenientes e vêm a propósito, Elas referem a minha mente ao achado e à perda do meu juízo, Um desacerto infeliz, Com tremendo azar, Li o jornal hoje, Meu amor, Uma mulher morreu por um bala perdida no Rio, Embora a notícia fosse tão triste, Tive que sorrir, Meu amor, Antes ela do que você, É como uma joia perdida, Uma carta extraviada, Humanidade pervertida, Gente viciada, Amizade destruída, Como um navio irrecuperável, Tudo sem esperança, Demência terminal, Ela era extremamente apaixonada por baladas, Navegava aflita pela internet, Num lugar distante, Privada de fortuna, Doia-lhe fundo a perda de seu marido, Doia-lhe fundo a falta de um homem, Era como extravio de documentos e dinheiro, Como aniquilamento de vida e matéria, Deixando de ganhar uma batalha, Um jogo, Uma oportunidade, Foi danação da alma, Seu credor sofre prejuízos em consequência da concreta diminuição do patrimônio dela, Pela cessação de lucros que os dois deviam ter recebido, Vi a foto de uma mulher no jornal hoje, Meu amor, Ela teve o corpo violentado até a morte, Ela não percebeu que o homem era um psicopata, Muita gente a conhecia, Mas ninguém tinha certeza se ela era esposa de algum juiz do STJ, Diligenciava inutilmente eleger-se senadora, Aos 40 anos, Diante da desolação paterna, Provocada pela orfandade, Procurava o suicídio, Com o que podia amealhar podia empreender a montagem de seu próprio negócio, Suas pupilas negras, Mortas e vivas na perdição, Pareciam pássaros dentirrostros exercitando as asas para voar, Você viu a insana fantasia dessa mulher, De arriscar-se num mar com vela e remo? De experimentar quatro roscas num parafuso e nenhum servir? É o diabo quem instiga as boas almas para o mal, As felicidades oferecidas por ele não deveriam causar desejo à mulher, O demônio procurou seduzir Jesus, Mas ele instaurou uma ação de despejo do tinhoso em pleno deserto, O que ocorreu com aquela mulher foi uma medida da flutuação dos resultados das medidas iteradas de uma grandeza realizada por um processo isento de vício, Afinal, Quem se presta a indicar a conexão entre diversas corrupções,  Porque estão presentes em mais de uma e são de natureza tal que seria improvável que diferentes corruptores pudessem nelas incorrer independentemente? Eles são excêntricos sistêmicos existentes nas graduações, Como nos círculos astronômicos, Por não serem coincidentes os centros dos círculos e das suas graduações, Eles são uma aproximação modular de diferença entre o limite de uma corrupção e o valor que se aceita para corromper, Assisti a um filme hoje, Meu amor, O governo brasileiro acabara de se moralizar, Muita gente deixou a sala do cinema, Mas eu precisava ver até o fim, Porque já tinha lido o livro, Como eu gostaria de te deixar ligadona, Meu amor, O que aconteceu com aquela mulher foi um deslize que se comete num cálculo aproximado quando se efetua um arredondamento, Pois no julgamento de uma hipótese estatística, Ela rejeitou a hipótese por sendo ela verdadeira, Portanto, De primeira  gravidade,  Hoje acordei às cinco da matina, Meu amor, Me arrastei até o banheiro, Desci para acender um baseado, Era cedo demais para curtir sozinho, Voltei logo para a cama, Mas você ainda roncava, Então tomei um viagra, Me masturbei, Você resmungou alguma coisa, Ejaculei e dormi novamente, O que ocorreu com aquela mulher foi que, No julgamento de uma hipótese estatística, Ela rejeitou a hipótese por sendo ela falsa, Portanto, De segunda gravidade, Pense na média dos valores absolutos de um conjunto de erros acidentais, Num desvio padrão de um conjunto de erros acidentais, Vou ver o noticiário hoje à noite, Meu amor, Haverá trilhões desviados dos cofres públicos, E embora será incalculável a quantidade de notas, Eles contarão uma por uma, Então eles saberão quanto mais dinheiro será necessário para exaurir a nação, Quando isto está presente numa corrupção mas não em outra, Se permite reconhece-las como independentes, Decorre de um vício num processo de medida, Não tendo, Por isso, Caráter aleatório, É constante, Pode ser um engano cometido pela mídia na abordagem original, Pode ser um piolho, Jamais vou cair no erro de te deixar sóbria, Meu amor. 


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

RUAS SUJAS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Alguém passa, Passa os olhos por você, Como outro passou, E vendo-o não lagrimar, Você também não chorou, Quando passam ao largo de ti, Nenhum distante olhar ao menos, Te pressentem tão serenos, Como quem na dor não crê, Teus olhos fixos me indagam enquanto te escrevo, Os meus não são aflitos, Saio de seu alcance quando termino, E os seus se perdem em infinitos, Ademais, Que diabo fazes aqui, Enchendo as ruas sujas de pernas, Gastando o que não tem e em maceração, Ávida por santificação?, É obrigatória a passagem pelo local onde você não esconde sua solidão, Mas ninguém quer examinar atentamente seu semblante e contornos pios, Como quem no amor não crê, Menina urbana, Podes deixar de acreditar em assombrações, Se fostes máscula, Não estarias robustecida na fé e na crença, Com a segurança de seu próprio valor não reconhecido, De sua feminina energia, Sua inquebrantável força de vontade e de viver, Não sei seu nome, Nem o de sua rua, Posso ignorar o próprio nome de sua freguesia, De onde viestes, Por que aqui estais, E para onde vais, Mas Deus não pode lhe negar missa de esmola nem amparos espirituais.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A PRIMEIRA MULHER

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Minha alma curiosa de sopro de vida e beleza, É meu presente de louvor aguçado e espuma do mar, O castigo de quem se precipita no olhar, Pretende escalar o céu para destronar meu senhor, De quem prometeu e desobedeceu, Brincando com fogo de arder na água, Com a paixão que carrego em meu coração, Minha alma curiosa de arte e persuasão, É meu presente de espírito da vida e sensualidade, O castigo de quem se demora no olhar, Pretende comigo casar e não deixa-me abrir meu presente de amor, De quem quer dominar e acaba por se descuidar, Brincando com todos os males da humanidade quem têm sua origem somente no sexo forte, Com a esperança que preservo para o mundo, Com a elegância de meus movimentos, A suavidade de minha voz, Minha força interior que brota da vontade de meu senhor, Um castigo para a masculinidade que queria só para si toda a autoridade.     


segunda-feira, 31 de julho de 2017

MRS. LIAR, SITTING PRETTY, LITTLE LIES IN A ROW

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche);


Todo mundo emprenha pelos ouvidos, Mas eu queria você longe dos meus, De seus pequenos e grandes lábios saem farfalhices e bazófias, Os incautos que caem em suas unhas postas fora, Antes do cruz-credo, Quia absurdum, Adoecem de saber você doente, Viram defuntos matados, Tua ideia de mentira, Representa a mola das mortes, As mães, Filhas e maridas que você sepulta, Sem mostra especial de sua frieza, Razão pela qual a esquizofrênica pseudo-intelectualidade, Congênita à falsa mulher e inseparável dela, Não pode deixar estancar o corolário de imoralidades nestes tempos que sublevaram todos seus antigos valores e temores, Dia desses você mandou assassinar seu ignoto empregado em viagem a trabalho no exterior, Pediu à sua advogada para lhe ensinar a trasladar restos mortais sem corpo de prova, E ao seu marido, Primeiro que a ninguém, Você atira a bala que quebra ossos e atravessa pernas, E a ti mesmo, Último que a todos, Disparas o projétil que se aloja no ombro e urge uma prótese, Olhe, Pois, Que tuas rezas são hipocrisias das desavergonhadas que não podem, Eternamente, Levar à paciência de Jó de seus incógnitos irmãos da terra e de longínquas galáxias, Ora, Como tudo cansa, Suas grandes petas acabam por exaurir-me também, Seu vício artístico de reduzir, Pela sobrevivência, Todos os otários e cornos bravos a uma única estirpe, Torna seu mundo uma monotonia abominável, Quantos espíritos alemães de nome Fritz você já invocou? Quantas vezes você enterrou seu pai, Seus filhos e seu próprio marido? Oras, basta-me saber que sou muito triste com minhas mentiras, E já serei na verdade muito menos.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

SURPRESA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Não tenho medo de te perder, Para minhas verdades contingentes, E minhas mentiras de nove modas, De longas pernas, Já perfiz um caminho inalcançável por você, De quem só a morte inexorável se aproxima, De quem somente o brilho do sol no mar, E somente as ondas fazendo uma extensa curva alvacenta revelam tanto seu ódio quanto sua má escolha, A lançar-me um olhar de desprezo e indiferença, Você faz leitura corporal, Facial, Verbal e labial, Eu faço leitura mental, Vivo nesta terra, E daqui não posso sair, Mas minha inteligência vive noutro planeta, Anos luz mais adiantado que este, Então só lhe resta escolher entre a resignação de belas mulheres com o outono da vida e a dependência material, Fingindo tanto as pazes, Chegando a fingir que é dor, Uma dor que deveras sentes, E tramar às ocultas até me abandonar, O que jamais me surpreenderá.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CUMPLICIDADE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Todos os dias têm seus momentos, Com suas momices, A fartura de nossas carnes prazem e sofrem em nossas próprias peles, A abstinência do nosso amor vive de tempos alitúrgicos, Oh Nosso Senhor, Ensina Teus servos, Que padecem o tormento da incerteza, Da indiferença, Que te agradecem pelo coração que não sente, E pelos olhos que não veem, Oh meu Deus, Largo é o Teu caminho que Te leva à perdição, Estreita é minha porta, Sitiada pela Sua Eva de seios gordos, Que se esfregam em meu rosto quando entro, O que Tu deixas penetrar, Sempre sai, Sob um signo feliz, Quando alguém vem ao Teu mundo, Pela lua nova, Alguém parte debaixo de um sinal mofino, Pelas expensas de Sua religião que recrudesce, À proporção que minguam os Seus bem-aventurados, Você nos deu uma hora para mais viver, Raramente perdoa os que não vivem o bastante, Você nos deu uma hora para mais matar, Raramente perdoa os que não matam o bastante, Você nos deu um sol que raia para todos de boa nascença, Uma chuva que derramas e inundas sobre todos Teus injustos, Oh meu Deus, Tenhais temperança, Fazemos de teu ódio pela humanidade nossa vingança, Oh minhas irmãs, De suas rajadas de furor, De suas tempestades da vida, Tiramos nossa bonança, Tiramos suas noites e suas auroras, E suas esperanças, Oh meus irmãos, Somos peixes que vivem sua própria vida, E ignoramos o curso das águas, Oh meu Deus, Olhe estas crianças, Elas tiram de onde não depositam, Colhem o que não semeiam, Oh minhas crianças, Não vos aflijais, A bala perdida é só um disparo, Vocês estão apenas a um tiro de distância.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O ARQUÉTIPO DO LEÃO
















Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Costumava ler até alta noite, Adormecia sobre os in-fólios, Perdia os momentos quando a lua afastava os crepes das horas mortas, Prateava os caminhos, E rumava gente para as terras lavradas, Empunhando archotes, Recebia arquétipos de presente, Mistura de onirismo e vigília, Sonho e vida, Um mundo sem gravidade temporal, Que no começo do dia às vezes se olvidava, Às vezes coincidia com a realidade, E todas as fantasias uniam-se na imaginação e fora dela, Contra minhas puras veleidades, Meus sórdidos segredos, Minhas escancaradas trapaças, Minha falsa imagem de honestidade, Pela imperiosa vontade do universo, O messias estendendo a mão esquerda, O guia espiritual sempre do lado direito, O deus no centro do oportunismo, Os leões de meus pesadelos dormiam todas as noites, Meus cancões urbanos, Curiosos e barulhentos, Estão sempre atentos a qualquer coisa estranha, Me avisam, Me pegam a qualquer hora dos meus sonos, Induzidos, Leves e pesados, Profundos, De Rapid Eye Movements, E eternos, Abaixo do décimo nível, Onde vou morar um dia, Ao lado de meus livros escritos e lidos, De meus gratificantes alunos e professores incógnitos, De meus felinos mansos e saciados.