segunda-feira, 31 de julho de 2017

MRS. LIAR, SITTING PRETTY, LITTLE LIES IN A ROW

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche);


Todo mundo emprenha pelos ouvidos, Mas eu queria você longe dos meus, De seus pequenos e grandes lábios saem farfalhices e bazófias, Os incautos que caem em suas unhas postas fora, Antes do cruz-credo, Quia absurdum, Adoecem de saber você doente, Viram defuntos matados, Tua ideia de mentira, Representa a mola das mortes, As mães, Filhas e maridas que você sepulta, Sem mostra especial de sua frieza, Razão pela qual a esquizofrênica pseudo-intelectualidade, Congênita à falsa mulher e inseparável dela, Não pode deixar estancar o corolário de imoralidades nestes tempos que sublevaram todos seus antigos valores e temores, Dia desses você mandou assassinar seu ignoto empregado em viagem a trabalho no exterior, Pediu à sua advogada para lhe ensinar a trasladar restos mortais sem corpo de prova, E ao seu marido, Primeiro que a ninguém, Você atira a bala que quebra ossos e atravessa pernas, E a ti mesmo, Último que a todos, Disparas o projétil que se aloja no ombro e urge uma prótese, Olhe, Pois, Que tuas rezas são hipocrisias das desavergonhadas que não podem, Eternamente, Levar à paciência de Jó de seus incógnitos irmãos da terra e de longínquas galáxias, Ora, Como tudo cansa, Suas grandes petas acabam por exaurir-me também, Seu vício artístico de reduzir, Pela sobrevivência, Todos os otários e cornos bravos a uma única estirpe, Torna seu mundo uma monotonia abominável, Quantos espíritos alemães de nome Fritz você já invocou? Quantas vezes você enterrou seu pai, Seus filhos e seu próprio marido? Oras, basta-me saber que sou muito triste com minhas mentiras, E já serei na verdade muito menos.

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sexta-feira, 28 de julho de 2017

SURPRESA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Não tenho medo de te perder, Para minhas verdades contingentes, E minhas mentiras de nove modas, De longas pernas, Já perfiz um caminho inalcançável por você, De quem só a morte inexorável se aproxima, De quem somente o brilho do sol no mar, E somente as ondas fazendo uma extensa curva alvacenta revelam tanto seu ódio quanto sua má escolha, A lançar-me um olhar de desprezo e indiferença, Você faz leitura corporal, Facial, Verbal e labial, Eu faço leitura mental, Vivo nesta terra, E daqui não posso sair, Mas minha inteligência vive noutro planeta, Anos luz mais adiantado que este, Então só lhe resta escolher entre a resignação de belas mulheres com o outono da vida e a dependência material, Fingindo tanto as pazes, Chegando a fingir que é dor, Uma dor que deveras sentes, E tramar às ocultas até me abandonar, O que jamais me surpreenderá.

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

CUMPLICIDADE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Todos os dias têm seus momentos, Com suas momices, A fartura de nossas carnes prazem e sofrem em nossas próprias peles, A abstinência do nosso amor vive de tempos alitúrgicos, Oh Nosso Senhor, Ensina Teus servos, Que padecem o tormento da incerteza, Da indiferença, Que te agradecem pelo coração que não sente, E pelos olhos que não veem, Oh meu Deus, Largo é o Teu caminho que Te leva à perdição, Estreita é minha porta, Sitiada pela Sua Eva de seios gordos, Que se esfregam em meu rosto quando entro, O que Tu deixas penetrar, Sempre sai, Sob um signo feliz, Quando alguém vem ao Teu mundo, Pela lua nova, Alguém parte debaixo de um sinal mofino, Pelas expensas de Sua religião que recrudesce, À proporção que minguam os Seus bem-aventurados, Você nos deu uma hora para mais viver, Raramente perdoa os que não vivem o bastante, Você nos deu uma hora para mais matar, Raramente perdoa os que não matam o bastante, Você nos deu um sol que raia para todos de boa nascença, Uma chuva que derramas e inundas sobre todos Teus injustos, Oh meu Deus, Tenhais temperança, Fazemos de teu ódio pela humanidade nossa vingança, Oh minhas irmãs, De suas rajadas de furor, De suas tempestades da vida, Tiramos nossa bonança, Tiramos suas noites e suas auroras, E suas esperanças, Oh meus irmãos, Somos peixes que vivem sua própria vida, E ignoramos o curso das águas, Oh meu Deus, Olhe estas crianças, Elas tiram de onde não depositam, Colhem o que não semeiam, Oh minhas crianças, Não vos aflijais, A bala perdida é só um disparo, Vocês estão apenas a um tiro de distância.

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quarta-feira, 5 de julho de 2017

O ARQUÉTIPO DO LEÃO
















Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Costumava ler até alta noite, Adormecia sobre os in-fólios, Perdia os momentos quando a lua afastava os crepes das horas mortas, Prateava os caminhos, E rumava gente para as terras lavradas, Empunhando archotes, Recebia arquétipos de presente, Mistura de onirismo e vigília, Sonho e vida, Um mundo sem gravidade temporal, Que no começo do dia às vezes se olvidava, Às vezes coincidia com a realidade, E todas as fantasias uniam-se na imaginação e fora dela, Contra minhas puras veleidades, Meus sórdidos segredos, Minhas escancaradas trapaças, Minha falsa imagem de honestidade, Pela imperiosa vontade do universo, O messias estendendo a mão esquerda, O guia espiritual sempre do lado direito, O deus no centro do oportunismo, Os leões de meus pesadelos dormiam todas as noites, Meus cancões urbanos, Curiosos e barulhentos, Estão sempre atentos a qualquer coisa estranha, Me avisam, Me pegam a qualquer hora dos meus sonos, Induzidos, Leves e pesados, Profundos, De Rapid Eye Movements, E eternos, Abaixo do décimo nível, Onde vou morar um dia, Ao lado de meus livros escritos e lidos, De meus gratificantes alunos e professores incógnitos, De meus felinos mansos e saciados.  

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