quarta-feira, 23 de agosto de 2017

RUAS SUJAS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Alguém passa, Passa os olhos por você, Como outro passou, E vendo-o não lagrimar, Você também não chorou, Quando passam ao largo de ti, Nenhum distante olhar ao menos, Te pressentem tão serenos, Como quem na dor não crê, Teus olhos fixos me indagam enquanto te escrevo, Os meus não são aflitos, Saio de seu alcance quando termino, E os seus se perdem em infinitos, Ademais, Que diabo fazes aqui, Enchendo as ruas sujas de pernas, Gastando o que não tem e em maceração, Ávida por santificação?, É obrigatória a passagem pelo local onde você não esconde sua solidão, Mas ninguém quer examinar atentamente seu semblante e contornos pios, Como quem no amor não crê, Menina urbana, Podes deixar de acreditar em assombrações, Se fostes máscula, Não estarias robustecida na fé e na crença, Com a segurança de seu próprio valor não reconhecido, De sua feminina energia, Sua inquebrantável força de vontade e de viver, Não sei seu nome, Nem o de sua rua, Posso ignorar o próprio nome de sua freguesia, De onde viestes, Por que aqui estais, E para onde vais, Mas Deus não pode lhe negar missa de esmola nem amparos espirituais.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A PRIMEIRA MULHER

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Minha alma curiosa de sopro de vida e beleza, É meu presente de louvor aguçado e espuma do mar, O castigo de quem se precipita no olhar, Pretende escalar o céu para destronar meu senhor, De quem prometeu e desobedeceu, Brincando com fogo de arder na água, Com a paixão que carrego em meu coração, Minha alma curiosa de arte e persuasão, É meu presente de espírito da vida e sensualidade, O castigo de quem se demora no olhar, Pretende comigo casar e não deixa-me abrir meu presente de amor, De quem quer dominar e acaba por se descuidar, Brincando com todos os males da humanidade quem têm sua origem somente no sexo forte, Com a esperança que preservo para o mundo, Com a elegância de meus movimentos, A suavidade de minha voz, Minha força interior que brota da vontade de meu senhor, Um castigo para a masculinidade que queria só para si toda a autoridade.